sexta-feira, 9 de maio de 2014

Il Giorno fala do Canzoni como uma "pequena obra prima fluida e revolucionária".


Il Giorno
As canções de Chiara com Chico, Gil, Ana, Itália e Brasil de autores
Nicola Conte produz uma grande Civello

Chiara. Finalmente me agrada. É lançado Canzoni, o álbum nascido entre Brasil, NY, Roma e Bari, produzido pelo gênio internacional Nicola Conte. Cantora e compositora adorada na América, Chiara fez grande sucesso no Brasil com Maria Gadu e Ana Carolina, esta última a acompanha em E penso a te de Mogol Battisti. 

Eles são meus mitos – Gil e Chico – diz Chiara, feliz. – Não foi difícil: quando eles escutaram nossos trabalhos, na hora adoraram os arranjos de Eumir Deodato e a produção de Nicola. Chamei também Caetano Veloso, mas ele estava em turnê. O Brasil que amou os nossos anos 60, era um filtro cultural adequado para o produto global nada trivial. Aquele mundo Chico encontrou em Roma. Propus a ele Il mondo di Fontana e Io che amo solo te. Ele em cinco segundos: canto Sérgio.

Incantevole de Subsonica e Mentre tutto scorre di Sangiorgi e Negramaro: são razões para que tenham álbuns no mercado italiano, nos revoltamos da nossa maneira. Como Va bene cosi, de Vasco Rossi – me pediram para canta-la no especial da Rai. O tropicalista Gilberto Gil a acompanha em Io che amo solo te, de Pino Donaggio, Ana Carolina, nouvelle vague, canta E penso a te, Esperanza Spalding em Mulini dei ricordi. Fortissimo e Metti una sera a cena são tributos às músicas orquestrais jazz e bossa nova.

Grande, grande, grande – um outro desafio, mas em inglês. Una sigaretta um blues da torch song. Arrivederci , uma noite cool de Bussolotto. Nicola tem dentro dele esses sons, me encheu de musicistas que deram o seu melhor, ele trabalha em um estúdio analógico. As duas pré-estréias a Locorotondo e Bari com orquestra foram incríveis. 

Fluido e revolucionário, Conte assina uma pequena obra prima na qual a voz de Chiara mergulha feliz. Sem nenhum erro, não digo de técnica, mas de gosto. Gaetano Partipilo, sax alto e tenor, e Magnus Lindgren, sax tenor e flauta, com ritmos elegantes. Via con me, di Paolo Conte, é o ínicio da subida, Con una rosa , a primeira surpresa. Senza fine, de Paoli, o standard perfeito 3/4. 

Chiara nunca cantou assim tão profundamente entre letra e música. Muito bonito.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Entrevista ao Il Manifesto!

Prosseguindo nas traduções da onda de entrevistas para a divulgação do Canzoni: 





IL MANIFESTO, 07 maggio 2014

“Releio Ennio Morricone como se fosse bossa nova”
Chiara Civello – um CD de covers com Nicola Conte


Até então escondendo seu talento como intérprete, preferindo concentrar-se na face autoral – como demonstram os cinco álbuns gravados até aqui. Romana porém com estada em terras americanas, e repetidas passagens brasileiras, nutre uma paixão sem igual pelos clássicos e pela canção italiana, com preferência pelos anos 60 e afins – Sempre fui fã dos standard (clássicos) – explica – é como na literatura quando você quer escrever e escrever melhor, mais livros lê, e faz o melhor no texto. 

Canzoni é o titulo do seu sexto trabalho recém lançado, e desta vez se coloca como intérprete. Dezessete músicas do repertório de Endrigo, Battisti entre outros, produzido juntamente com Nicola Conte, gravado entre NY, Rio de Janeiro e Bari. A parte musical, a cereja do bolo, foi registrada com nada menos que com o gênio de Eumir Deodato.

Tinha vontade de reexplorar a minha parte intérprete. Logo depois que me formei em Berklee em NY, fiz substancialmente isso. Mas queria fazer isso com músicas italianas, porém tentando liberar as músicas dessa parte mais melodramática e jogar mais com sons, e arranjos mais arejados. 

A musas inspiradoras são as vozes de Dusty Springfield, a rainha da white soul americana e Julie London, dona de uma maravilhosa voz que soa a jazz e cigarros.

Nicola Conte foi fundamental neste precioso trabalho de pesquisa e busca. Encontramos o equilíbrio entre o soul, o Brasil e a melodia italiana. Parti de quarenta músicas e após cheguei a quinze, e nos esforçamos para imaginar aquelas músicas refeitas em outro estilo.

Foi um trabalho que funcionou perfeitamente, como por exemplo em Metti una sera a cena di Ennio Morricone, o arranjo ao estilo bossa nova, a junção dos vocais e as cordas de Deodato deram a uma das obras primas do maestro uma outra e interessante perspectiva. 

A voz da cantora, a primeira italiana contratada pela Verve (em seu primeiro disco) encontra novas nuances e tons inesperados, como em Que me importa el mundo di Bruno Canfora escrito por Rita Pavone ou em Il Mondo di Bindi, onde evita cair em armadilhas e prefere calibrar a voz quente e intimista.

No disco quatro parcerias escolhidas a dedo: Porque todas as músicas precisavam deste intérprete. Gilberto Gil em Io che non vivo senza te, Chico Buarque quis recordar o amigo Endrigo em Io che amo solo te. Esperanza Spalding na única cover não italiana, The Windmills of Your Mind. “Descobri a música em uma versão de Jannacci que seu filho traduziu brilhantemente e resolvi homenageá-lo”. A amiga, cantora e compositora brasileira Ana Carolina quis, ser parceira em E penso a te de Battisti: uma vez eu toquei a musica no violão e ela se apaixonou loucamente. Quando ela entendeu o toque que eu queria dar me ameaçou: ou me chama para cantar com você ou esta música gravo eu!”