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domingo, 28 de abril de 2013

Vídeos da Chiara, em 2005, falando do primeiro álbum e cantando algumas músicas!

Faz tempo que não postamos matérias mais antigas aqui, então lá vai mais uma raridade:

Na época do lançamento do primeiro álbum, Last Quarter Moon, em 2005, a Chiara foi até os estúdios do Kataweb para uma entrevista e uma pequena apresentação de quatro músicas inéditas. Abaixo, o vídeo da entrevista e uma breve descrição :)



Na entrevista acima, a Chiara fala da distância entre a Itália e a América, dizendo que apesar do oceano que as separa se pode construir uma ponte entre as duas, pois os continentes estão muito mais próximos do que parecem, em questão de costumes. Sobre o título do CD, diz que foi encontrado por acaso, vendo um calendário lunar enquanto escrevia as canções do álbum, percebeu que naquele 29 de setembro haveria uma lua minguante. Já tendo uma melodia, usou a lua como letra. Metaforicamente, a minguante seria a última parte de uma lua velha que encontra o início de uma nova, o que comparou com o início de carreira. 

Falando de sua formação musical, disse que o jazz foi sua porta de entrada na música, mas que uma vez percebendo uma certa falta de acessibilidade no gênero, uma certa distância e isolamento (onde procurava liberdade e proximidade, vizinhança), procurou novos horizontes musicais. Fala que o jazz tem um idioma e alfabeto próprio, que foi preciso estudar para conhecer, as harmonias, o jeito de escrever, e que foram assim os primeiros anos de sua formação. Depois disso, sentiu a necessidade de conhecer outros estilos como música latina, clássica, bossa nova...pois a música é reflexo do povo, tal qual uma antropologia. Diz que é mais fácil agora encurtar as distâncias entre os lugares por conta da globalização, e que a música também é uma ótima forma de diminuir trajetos, fazendo sentir perto quem está longe.

Perguntada sobre o cenário do jazz italiano, afirma que não tem muito contato com eles, apesar de ter amigos, pois não se sente exatamente uma jazzista, mas uma compositora.

No processo de passagem de cantora para compositora, diz que Russ Tilteman foi a figura principal nessa mudança. Encontrou o produtor do primeiro álbum num ensaio de Paul Simon, onde estava com os amigos Alain Mallet e Jamey Haddad. Russ ouviu quatro canções de Chiara, entre elas a primeira composição, Parole Incerte. Após uma turnê na Coréia, encontrou Russ, que disse que ela devia se concentrar nas composições. A partir de então Chiara "abriu os olhos" para um lado que não sabia que tinha, passando de intérprete para cantora-compositora. 

Em relação às suas composições, o entrevistador observa que Chiara parece ser uma pessoa predominantemente alegre, mas que não são assim suas músicas, e pergunta porque ela acha que isso acontece. Chiara diz que talvez nesse primeiro disco o foco tenha sido trazer para um nível tangível sentimentos como tristeza, nostalgia, melancolia, e as sensações mais calorosas tenham ficado na parte instrumental, como forma de equilibrar as emoções.

Perguntada sobre a decisão de incluir músicas em italiano no CD, Chiara diz que não tem intenção alguma de negar ou calar suas origens, e mesmo havendo a possibilidade de ter feito pela Verve um disco de jazz em inglês, isso não era de sua personalidade musical, "Chiara, italiana, metade siciliana". Diz que o público de outros países respondem muito bem a essas músicas em italiano, sempre pedindo no "bis" que sejam tocadas novamente. 

Falou um pouco sobre o encontro e a composição que fez com Burt Bacharach, dizendo que foi inesquecível, que a música se tivesse pele, ossos, corpo, mãos...seriam as de Burt. Diz que foi um dos três momentos mais importantes de sua vida, porque aprendeu e absorveu muito do que viveu ali, entre elas, que não se deve desistir de uma melodia sólida e que uma bela canção não se escreve em três minutos, que a intuição é importante mas também o é o trabalho sobre ela. 

Por fim, fala de planos em se apresentar para o público italiano.

Abaixo a apresentação. O setlist:

1. I Won't Run Away
2. Here is Everything
3. The Wrong Goodbye

4. In Questi Giorni



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Atualizada a seção Discografia com mais duas parcerias antigas!

Mais dois álbuns com a participação da Chiara pra seção de  Discografia:

Em Verona, 2007


A primeira delas foi em 2006 e vem do CD "Post Modern Garden", do rapper que misturou o hip-hop com música indie e jazz no projeto Yah Supreme & Brohemian. A Chiara canta a faixa 6, "Donny", juntamente com o rapper. Ouça abaixo:


O segundo projeto está no CD "Allenhazfunk", da xilofonista e jazzista Lolly Allen. Em 2009 foi lançado o álbum, que inclui duas músicas cantadas pela Chiara, uma delas chamada "Daydream Brazil" e que pode ser ouvida abaixo:



Além disso, já havíamos falado aqui do Mango Blue, que em 2002 lançou o álbum "Immigrant Blues" com os vocais da Chiara. No ano seguinte eles gravaram uma apresentação para um programa de televisão de Boston, que pode ser visto, na íntegra, no Youtube:

domingo, 7 de outubro de 2012

Mais uma entrevista antiga, do lançamento do Last Quarter Moon!

Dessa vez a matéria é do Italiansrus, também de 2005.

Lembrando que para ler todas as entrevistas e informações relativas ao começo da carreira da Chiara (de 1996 até agora) é só ir na nossa seção de ANTIGUIDADES

Entrevista com a cantora, compositora e pianista Chiara Civello
Por Anthony Parente



Chiara, obrigado por conceder esta entrevista para o italiansrur.com. Eu tive o privilégio de ouvir seu novo álbum, Last Quarter Moon, e fiquei muito impressionado com sua voz e seu estilo. Eu desejo muito sucesso nesse seu álbum de estréia.
Os leitores gostariam de saber um pouco como foi sua infância na Itália.

Onde você nasceu e cresceu?

Eu nasci e cresci em Roma, Itália. Mas eu tenho sangue do sul da Itália: meu pai é de uma das cidades mais antigas da Sicilia, Módica e minha mãe é de Bari, na Puglia. Eu sou muito ligada a Sicília, eu passei grande parte da minha infância e temos uma grande família lá.

Como foi nascer e crescer em uma família italiana?

Foi maravilhoso. Como você acha que é comer sempre a melhor comida e beber os melhores vinhos desde o primeiro dia do seu nascimento?

Quem mais a incentivou a buscar e estudar música?

A primeira pessoa que percebeu que a música estava em mim foi minha nonna Bianca. Ela tinha um piano onde tocava uma velha canção e passava muito tempo com ela. Todos os dias ela me incentivava a tocar piano, como se eu fosse uma pianista, e mesmo eu não sabendo como tocar direito, ela me fez levar isso muito a sério. Graças a ela eu ficava horas procurando melodias, a princípio só nas teclas brancas, porque as pretas eu tinha medo. Mais do que minhas mãos, minha imaginação é que trabalhava. Mais do que um início, eu diria que foi um despertar calmo e lento.

Quando você percebeu que jazz era o tipo de música que você queria fazer?

Na verdade eu não me considero uma cantora jazz. O jazz foi uma importante parte do meu desenvolvimento musical, mas eu sinto que a minha viagem tem tomado diferentes direções agora. O que eu amo é escrever canções. E minhas musicas refletem vários elementos que amo e que tive contato ao longo dos anos. O jazz foi a minha introdução à musica.

Quando você estudou música e, em particular, jazz?

Enquanto eu estava no colégio em Roma eu estudei música e cantando numa escola particular de jazz chamada Saint Louis Music Academy por quatro anos. Aos 16 anos eu fui para algumas oficinas feitas pela Berklee College of Music e eu ganhei uma bolsa para continuar minha educação nos Estados Unidos. Então em 1994 eu me mudei para Boston onde me formei em 1998.

Fale-nos sobre seu álbum de estréia Last Quarter Moon

Last Quarter Moon é uma coleção de fotografias da minha vida. Eu saí de casa muito nova para perseguir o sonho de me tornar uma mucisista, e eu deixei muitas coisas para trás. Tem sido muito difícil algumas vezes e muito recompensador em outras. Last Quarter Moon se estende pelo trajeto onde a partida encontra a chegada, o ganho encontra a perda. A lua minguante, raramente mencionada na poesia e literatura, é o último pedaço de lua antes do nascimento de uma nova. Eu acho isso extremamente atraente, porque é um momento de incerteza, que evoca um conflito entre o senso de renovação e a permanência de elementos do passado. Quem me encorajou a escrever músicas foi Russ Titelman, depois que ele ouviu uma demo da primeira canção que escrevi ("Parole Incerte"). Ele trabalhou comigo por um ano e depois conseguiu para mim um contrato com a Verve, e produziu o álbum. Tem sido uma experiência incrível.

Qual sua música favorita do Last Quarter Moon?


Não tenho uma favorita. Todas são muito especiais para mim.

É difícil produzir um álbum no qual você tem músicas em inglês e em italiano?

Não para mim, e eu acho que não para o Russ. Eu não tinha escolha. Sou italiana, afinal, e eu não poderia esquecer minhas raízes, e inglês é o que eu venho falando pelos últimos 10 anos.

Há algum cantor ao qual você tenta se modelar?

Não. Há vários cantores que eu admiro, porém. João Gilberto,  Elis Regina, Bjork, Oum Kalthoum, Mina, Paolo Conte, Amalia Rodriguez, Tony Bennett, Nat King Cole.

Há algum projeto no qual você está atualmente trabalhando?

Estou atualmente promovendo meu disco e estou sempre trabalhando em novas músicas.

Se você pudesse fazer um dueto com qualquer cantor no mundo, quem seria?

Bem, depois de cantar um dueto com Tony Bennett não sei o que mais eu poderia sonhar. Eu gostaria de cantar um dueto com Sting em algum momento, e Stevie Wonder.

Fonte (em inglês): Italianrsus


sábado, 6 de outubro de 2012

"Música que não tem paredes", uma entrevista de 2005!

 Entrevista feita na época do lançamento do Last Quarter Moon:


Por Tanya Perez-Brennan
The Times-Union,


O passado tem um jeito estranho de emergir das sombras nos momentos mais inesperados.

Talvez seja isso que tenha deixado a cantora Chiara Civello silenciosa no outro lado da linha.

Mas só por um instante. E então...uma gargalhada.

"Isso é ótimo", ela disse, em seu leve sotaque italiano. "Na verdade, eu amo isso. Pode ser o assunto para uma boa música."

Eu tinha acabado de dizer a Chiara que a conhecia dos "velhos tempos". Que foi há sete anos, em Boston, quando ela era apenas uma estudante no Berklee College of Music e eu somente uma estudante na University of Massachusetts e uma jornalista freelance. Vi muitas de suas apresentações nos estabelecimentos locais de jazz porque andávamos com o mesmo público de artistas internacionais.

Agora ela fica surpresa ao ver nossas carreiras se cruzando enquanto a entrevisto antes de sua estréia na Florida e depois do lançamento de seu primeiro álbum, Last Quarter Moon, pela Verve, no final de fevereiro. Ela fará sua apresentação na Church of the Good Shepherd esta noite, como parte do Riverside Fine Arts International Music Series.

"Tem sido uma longa jornada", disse.

Chiara deixou Roma aos 19 anos para estudar música em Berklee. Em apenas quatro anos da graduação estava fazendo backing vocals no CD October Road, de James Taylor, e mais tarde cantou um dueto com Tony Bennett num lançamento da Columbia. 



"É como ser um espectador de um filme sobre outra pessoa", disse, sobre o sucesso recente.

A verdadeira mudança veio quando ela foi ao ensaio de Paul Simon em Nova York há três anos e encontrou o produtor Russ Titelman. Ela deu a ele uma demo de Parole Incerte, uma música hoje do Last Quarter Moon. No outro dia, Titelman ligou e disse a Chiara que ela tinha que continuar a escrever canções.

Chiara nunca havia se considerado realmente uma compositora.

"Eu não tinha escolha a não ser acreditar nele e abraçar todos os meus medos", ela disse. "Essa pessoa tinha uma vasta experiência, então fui e mergulhei fundo na composição de músicas."

O resultado é uma mistura de canções cantadas em inglês, italiano e português -- uma rica combinação de influências jazz, pop, folk e bossa nova. Chiara escreveu sete das dez canções do álbum, a maioria baseadas em experiências pessoais de amor perdido e relacionamentos acabados. Ela co-escreveu a balada Trouble com o renomado compositor Burt Bacharach.

Mesmo sendo Last Quarter Moon um lançamento jazz, Chiara não se considera uma artista jazz. Ela disse que muitos músicos contemporâneos desafiam a categorização musical.

"Se eu olhar ao redor, há uma tentativa de ultrapassar ou transcender as fronteiras musicais e estou interessada na música que não tem paredes.

"Eu simplesmente vou para onde sou levada. Não estou interessada em perseguir gêneros, eles que me perseguem, de alguma maneira."

Chiara demonstrou isso durante a entrevista pelo telefone. Ela estava compondo uma música em seu apartamento em Nova York e tocou a melodia básica ao piano, cantando tanto em inglês quanto em italiano.

"Deus, essa música tem duas línguas nela", ela disse. "Vou escrever uma música tanto com italiano quanto com inglês."

A voz de Chiara tem uma qualidade sensual e densa, e é particularmente passional quando ela canta em italiano.

"Vamos dizer que talvez o italiano arranque um viés muito nostálgico que me lembra de onde sou", ela disse.

Fonte (em inglês): Jacksonville

domingo, 18 de março de 2012

Mais três participações da Chiara em álbuns de parceiros no começo da carreira!

Chants: A Candomble Experience (2000)


Álbum lançado pelo jazzista Nando Michelin após uma visita ao Brasil, onde se encantou pelos sons da religião candomblé e, de volta aos Estados Unidos, misturou jazz aos vocais característicos dos cantos. Chiara faz os vocais da faixa 3, "Iemanja".

Mais informações e trechos das músicas do álbum.


Luminescence (2003)




Tino Derado é um músico graduado em Berklee que, em 2001, convidou a Chiara para participar de um ábum que combina, tango, bossa nova e jazz, e contava também com a participação de Guilherme Monteiro, amigo e parceiro da Chiara nos anos seguintes. O próprio Tino viria a participar de alguns shows da Chiara em 2007.

Em "Luminescence", além de gravar os vocais das canções, participou também da composição da faixa de encerramento, "Sambaroma", que viria a fazer parte do seu primeiro álbum, anos depois.

Mais informações e trechos das músicas.

Approachable Perspectives (2003)




Ernesto Klar é um nome conhecido pela sua experimentalidade nas composições, que improvisam e vão muito além das suas raízes jazz. Também formado em música em Berklee, quando da gravação do álbum de seu projeto "The Klaresque Ensemble", em 1999, convidou a Chiara para recitar um texto na faixa 6 do CD, "De-riff-struction".

Mais informações.



domingo, 11 de março de 2012

Artigo de 2002 sobre apresentação da Chiara com o grupo de Lello Molinari

Em 2002 foi lançado, pelo jazzista professor de Berklee Lello Molinari, o álbum "Multiple Personalities", que foi divulgado em Boston com alguns shows em locais especializados em jazz e rendeu ao projeto críticas positivas de várias publicações musicais. O site The Groove, feito por alunos de Berklee para divulgar os eventos ligados à Escola, esteve presente no show de lançamento e fez uma descrição do que aconteceu, falando de uma Chiara Civello recém formada e destacando-se em suas performances vocais.

Multiple Personalities faz música no RegattaBar
The Groove

Na terça, dia 2 de outubro, o baixista e professor da Berklee College of Music, Lello Molinari, trouxe ao palco seu grupo de estrelas e conquistou a platéia do RegattaBar numa turnê colorida de sua história e plano de fundo musical. A performance apresentou, primeiramente, as canções estilisticamentes diferentes de seu novo álbum, Multiple Personalities, mas não falhou em apresentar algumas das composições marcantes do passado, como que para acolher o lançamento do novo CD, como uma revisão e afirmação positiva da herança musical e desenvolvimento do artista.

Amigos, fãs, estudantes e colegas, assim como um número de hóspedes do hotel gradualmente encheram as cadeiras do local de jazz muito respeitado em Boston. Um pioneiro na guitarra e professor muito procurado na comunidade jazz, Mick Goodrick, tomou seu lugar no palco para fazer algumas preparações finais em sua guitarra customizada em formado de rim. Momentos depois, um rico aplauso acompanhou a entrada do líder da banda, Molinari, baterista Marcello Pellitteri, e o saxofonista do The Fringe, George Garzone, e enquanto pegavam seus instrumentos e instantaneamente iniciaram o show com uma versão da música "Simone".



Projetado contra os coloridos acordes da guitarra de Goodrick, Garzone aproveitou a oportunidade para fazer seu primeiro solo e demonstrar sua reputação técnica e habilidade melódica e levar a canção à alturas climáticas. Em seguida, uma bela canção Napolitana entitulada "Quando", viu uma cantora e recém formada em Berklee, Chiara Civello, proporcionar uma exuberante e sensual melodia vocal encontrada pela musicalidade de sua língua nativa. Foi particularmente satisfatório ver o envolvimento da cantora além do número de canções para as quais contribuiu no Multiple Personalities. Enquanto alguém poderia esperar que ela cantasse a composição de Garzone, "Anthony Goes to Marty Gras", assim como a balada napolitana "Malafemmena", seu envolvimento ultrapassou as expectativas com uma extensiva improvisação vocal nesta última e uma interpretação majestosa do que está identificado na playlist apenas como "do Duke". Na dança napolitana "Tarantella", Chiara se juntou à peça interativa de Garzone e do trombonista Jeff Galindo ao harmonizar a melodia.

Além das canções do álbum, Molinari escolheu duas de suas antigas composições e as combinou num medley. Enquanto as canções espaçosas e hipnóticas (que lembram um pouco o jazz europeu como o de Jan Garbarek) encaixaram-se bem com o corpo musical diverso associado com o Multiple Personalities, eles também serviram para ilustrar a história musical e o desenvolvimento da mente multi-facetada que está por trás desses trabalhos.

A performance também contou com o pianista Frank Carlberg que em seu canto, na extrema esquerda do palco, pareceu ficar ao fundo na maior parte do show. Enquanto o entusiasmo e habilidade dos membros da banda era aparente durante a performance, houve confusões às vezes, como quem faria o solo, o que resultou, ao que parece, em duas oportunidades perdidas de improvisação. No entanto, cada música, original ou clássico, teve seu charme único e nunca falhou em chamar a atenção do ouvinte. Multiple Personalities é um relato rico e excitante da história de Molinari. O álbum pode ser ouvido na biblioteca de CDs de Berklee ou pode ser comprado na internet em http://lellomolinari.com.

Para ouvir a Chiara cantando Malafemmena, faixa do álbum em questão:

sábado, 10 de março de 2012

PopMatters entrevista Chiara Civello

Essa entrevista, publicada logo após o lançamento do Last Quarter Moon, sem dúvidas, é uma das melhores matérias já feitas com e sobre ela. Muitas informações que posteriormente se perderam em outras entrevistas, a abordagem de um aspecto muito mais intimista/familiar da Chiara, referências a coisas que a inspiram...

Experiência Transformada em Música: Uma Entrevista Com Chiara Civello
por Nikki Tranter
Jazz é a máquina de mergulho mais incrível quando se trata de ir fundo na música. Mas eu sabia que não poderia ser a nova Ella Fitzgerald; não poderia ser a nova Shirley Horn. Aprendi todos os tipos diferentes de música e então disse para mim mesma, "eu preciso achar minha própria voz. Hora de desaprender, hora de ser livre'. É como uma balão de ar quente: para poder voar você tem que se desfazer dos sacos de areia. Eu quero ser o mais leve que puder.
        - Chiara Civello, biografia da Verve Music Group

Com expectativas assim impostas a si mesma e um claro entendimento de sua importância em criar um jazz sustentável e excepcional, não é um grande choque que o CD de estréia de Chiara Civello, Last Quarter Moon, soe como um trabalho profissional. Quer ela as aceite ou não, as comparações com Ella e Shirley são válidas. A mesma fluidez de expressão existe em seu álbum, a mesma intuição, e a habilidade para surpreender nas melodias mais simples e previsíveis. Nestes dias, Chiara está mais propensa a ser comparada à Norah Jones e Diana Krall e Lizz Wright, mas tudo bem - essas mulheres, também, evocam imagens de Ella, e todas elas tiveram que começar de algum lugar.
Ella Fitzgerald, talvez o maior nome feminino do jazz
Chiara Civello nasceu em Roma e se mudou para Boston em 1994 numa bolsa de estudos para a Berklee College of Music, aonde estudou com Harold Crook, Ed Tomassi e Jerry Bergonzi. Sozinha, estudou música mediterrânea, entrando tão fundo nos sons da região que acabou aprendendo espanhol e português como resultado. Até que membros de sua banda começaram a colaborar com Paul Simon e, consequentemente, o produtor de Simon, Russ Titelman, foi quando ela pôde pôr seu estudo em prática. Russ adorou tanto sua canção "Parole Incerte" que a aconselhou: "Você é uma compositora, você tem que compor". Em pouco tempo, Chiara estava escrevendo e co-produzindo Last Quarter Moon, gravando backing vocals para "October Road", de James Taylor, e duetando com Tony Bennett no caminho.

"Um começo superior" é a melhor maneira de descrever o álbum de Chiara, aonde, segundo ela mesma, o jazz é somente o ponto de partida para o que ela espera que seja uma carreira com muitos gêneros. "Eu realmente não me considero uma performer de jazz; jazz marca minha entrada na música," contou recentemente à PopMatters, listando entre suas influências Bob Dylan e Joni Mitchell. Last Quarter Moon, embora considerado um lançamento jazz, é temperado com tanto folk quanto jazz, e até consegue ter umas batidas brasileiras e uma ou outra ambientação corajosa inspirada pelos seus anos na cena de Boston.

Os pontos mais sombrios do álbum são seus melhores, principalmente "Trouble", uma balada de um amor perdido co-escrita com Burt Bacharach, com uma melodia matadora e letras que combinam:

"Posso te sentir em toda parte
Você é como veneno no ar
Impossível
Eu sei o caminho para fora de você
Problema"

As composições de Chiara parecem menos padronizadas depois do melhor de Bacharach, James Taylor e até Billy Joel. Ela tem um talento especial para colocar, em suas músicas, imagens fortes para sustentar o linguajar mais comum das canções de amor. A música que fecha o álbum, "I Won't Run Away", por exemplo, tem um verso sobre "minhas lágrimas correndo até você", mas também descreve uma fraqueza romântica como: "Tudo que sei é que em breve irá nevar/Quando o verão estiver encoberto/O frio irá tomar conta/E congelar a terra e tudo o que cresce".

O mesmo vale para a requintada "The Wrong Goobye", com a abordagem de conversação de Chiara parecendo, deliberadamente, guerrear com o piano ao fundo, recusando-se a seguir seu ritmo. A canção é repleta de imagens ("Se ao menos você soubesse/Como fez meu dia ontem à noite/Entrei surpresa/Você parecia um astro de cinema/Derramando toda sua beleza nos copos das pessoas"), sem melodia distinta entre seus versos. Aqui Chiara se alegra, com as notas quebradas complementando as letras, trabalho feito com rimas que amarram os versos complexos até um refrão simples ("Tudo o que tenho é um pedido esta noite/Por favor não me mande para casa um o adeus errado").

O ouvido de Chiara para melodia é seu melhor trunfo nas faixas do álbum que não estão em inglês, incluindo "Ora", "Sambaroma" e o destaque "In Questi Giorni". Há uma qualidade meditativa nas canções, que são mais sobre se perder nos sons do que se preocupar com o significado das letras, o que testemunha sobre as habilidades de Chiara na construção da música. Por mais impactantes que sejam essas músicas mesmo se você não sabe sobre o que elas falam, as frases dela em suas canções em inglês fazem da tradução um prospecto excitante demais para deixar passar - embora, confie em mim, será preciso uma fonte melhor do que o Google Tradutor. Por agora, estou feliz com o mistério.

Em julho, Chiara volta para a Itália para um número seleto de shows, incluindo vários no renomado Umbria Jazz Festival, aonde ela irá ser divulgada junto à Elton John e Diana Ross. "Você tem que se preparar para se sentir sozinho", ela diz sobre fazer turnês, mas com otimismo, ela não pode evitar de encontrar harmonia mesmo nos cantos mais escuros. "Mas solidão é um ótimo lugar para começar uma canção". Chiara falou rapidamente para a PopMatters em seu caminho para o Japão a fim de promover e apresentar músicas do Last Quarter Moon.

PopMatters: Qual sua música favorita?

Chiara Civello: Bom..."Moon River". Antes de tudo eu amo "Bonequinha de Luxo". A cena onde Audrey canta na janela? Uau-- que melodia Mancini escreveu. Sem falar de "Huckeberry Friend"-- o gênio da composição, Johnny Mercer.

              
"Bonequinha de Luxo" (1961)
                        

PM: Minha música favorita do seu álbum é "In Questi Giorni". Sem falar italiano, eu não tenho idéia sobre o que se trata-- porque você acha que canções como essa funcionam independentemente da língua e do entendimento do ouvinte? É importante entender a letra de uma música ou reagir à música é agradável e forte o bastante?
CC: Acho que se a melodia sozinha consegue te emocionar, é ótimo. Deixa mais fácil para as letras virem. Cresci ouvindo músicas sem saber o que significavam as letras, então acho que isso se traduziu na minha composição, sempre me fazendo começar primeiro pela música. Todo o poder para a melodia. Melodias podem mover montanhas.

PM: Você pode transcrever em palavras que aspecto do jazz fez você querer ser uma performer de jazz?

CC: Realmente não me considero uma performer de jazz. Posso dizer que jazz marca minha entrada na música. Estudei jazz em Berklee por um tempo e amei obsessivamente até que senti necessidade de explorar estilos diferentes de música, música de diferentes partes do mundo, mais representativas do tempo e lugar em que eu vivo, como Nova Iorque, a cidade onde você acha 20 raízes étnicas em um vagão de metrô.
Estação de trem "L", em Nova Iorque, que vai do Brooklyn a Manhattan


PM: Por que o jazz é importante?

CC: Jazz é importante porque é uma manifestação da liberdade, e esse é o elemento que eu decidi manter na minha música...liberdade.

PM: Sua biografia diz que você estudou os estilos de composição de Bob Dylan e James Taylor. Foi um estudo deliberado? O que isso fez, no fim, com seu estilo de escrever?

CC: Tudo na música vem de uma intuição, de um forte sentimento tomando conta de você. Assim como quando eu quis aprender jazz e transcrevi os solos dos mestres de jazz até que entendi o vocabulário e desenvolvi meu próprio sentido, quando percebi que estava sendo atraída para escrever canções o melhor que fiz foi ouvir como os mestres desenvolviam seu ofício ao longo de suas gravações -- uma longa pesquisa até que encontrei minha própria voz.

Bob Dylan, artista considerado um dos maior compositores de todos os tempos


PM: Você tem preferência por alguma língua? Você prefere compor na sua língua nativa? Que desafios existem em escrever em línguas diferentes?

CC: Não tenho uma preferência. Quando escrevo uma música eu sempre começo da melodia. Uma vez que a música está pronta ou quase pronta ela dita que língua a letra deve ter. Italiano é mais adequado para certas melodias e inglês para outras. O mesmo para espanhol e português.

PM: O que estava por trás da sua decisão de incluir músicas em italiano e em inglês no seu álbum?

CC: Bem, eu sou italiana, e vivo nos EUA há 10 anos. Essas são minhas línguas...é como eu me expresso.

PM: Como você está se sentindo depois do lançamento do álbum?

CC: Tenho muitos sentimentos diversos sobre o lançamento do Last Quarter Moon. É meu primeiro álbum e representa um passo oficial para um patamar criativo mais profundo, aonde minha experiência é transformada em música. Isso traz muita alegria por poder fazer isso -- e muita responsabilidade por saber que é somente o começo.

PM: Explica um pouco sobre o processo que envolveu a produção desse CD. Como você escolheu as músicas, etc.

CC: Eu comecei a escrever canções para o álbum em 2002 e entrei no estúdio em 2003. [Produtor] Russ Tiltelman foi a pessoa que realmente me encorajou a escrever e me ajudou a preparar o repertório e a dar a ele o melhor formato com meus amigos que tocaram. Em relação as versões, não estava interessada em fazer um cover de nada que tenha sido feito milhões de vezes antes. Fiquei muito fascinada por "Caramel" quando ouvi pela primeira vez Suzanne Vega cantá-la num show, então decidir cantar.
Capa do single de Suzanne Vega

PM: O quão excitante foi trabalhar com Burt Bacharach?

CC: Encontrar Burt Bacharach foi como encontrar A Canção em pessoa. Ele é um dos seres humanos mais elegantes e simples que conheci. Ele é um verdadeiro artesão do som. Trabalhar com ele me deu muita força e encorajamento.

PM: O que você acha da música popular contemporânea? Considerando o sucesso de Michael Buble e Norah Jones, por exemplo, você acha que pessoas mais jovens então se abrindo para a música antes considerada "adulta'?

CC: Sim, eu acho. Vejo isso acontecer ao meu redor e eu acho que é uma grande oportunidade para o público e os artistas estabelecerem sons modernos que evitem que a qualidade e novidade se percam no mundo das músicas "chiclete".

PM: Você encontra reações diferentes à sua música ao redor do mundo? Italianos reagem diferente dos americanos, por exemplo?

CC: Sim, as reações são diferentes e essa é a beleza de fazer o que eu faço. Promover um álbum é também conduzir uma pesquisa antropológica. No Japão, por exemplo, as pessoas amam (o disco). Eu já estive lá três vezes e o público é maravilhoso. Muito diferente, muito quieto e sentimental.
Chiara no Japão, algum tempo depois dessa entrevista


PM: O que você acha que atrai um ouvinte para um estilo particular de música?

CC: A honestidade, a verdade de um artista. Pelo menos é isso que eu gostaria que fosse.

PM: Quais são suas esperanças para o futuro da carreira? O que é importante alcançar como uma cantora/compositora?

CC: Um cantor/compositor é um contador de histórias. Contadores de histórias são observadores e intérpretes de sentimentos, através do som e do silêncio, através das palavras e das pausas. Minha jornada como uma contadora de histórias apenas começou e eu quero ser o melhor que posso ser. Agora estou ocupada levando raios de uma lua minguante para cada casa e preparando novas histórias para contar.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Matéria sobre o show de lançamento do primeiro álbum da Chiara, em 2005.



Chiara Civello
(Joe's Pub, NYC, Capacidade para 220 pessoas, $12)

Por David Prague

24 de fevereiro de 2005

Músicos: Chiara Civello, Ben Butler, Richard Hammond, Alain Mallet, Dan Rieser.

A entrada de Chiara Civello no reino do vocal jazz foi marcada menos por fogos de artifícios e mais por um fogo lento e brando. Assim, na festa de lançamento de seu primeiro álbum pela Verve, Last Quarter Moon, a italiana expatriada estava positivamente radiante quando fez sua entrada, permitindo que sua voz exalasse uma branda flama azul -- mas ficou palpavelmente chamuscada quando mergulhou fundo demais nas pirotecnias vocais.

Uma compositora talentosa o bastante para atrair Burt Bacharach para uma colaboração em "Trouble", -- apresentada aqui em todo seu "inquieto porém sedutor" esplendor  -- Civello se inspira fortemente em temas brasileiros e latinos. Ela dá o melhor uso a essa influência em baladas úmidas e soprosas como "Here is Everything", uma canção estilo João Gilberto que ganhou uma força emocional enquanto Civello recontava seu rol de arrependimentos românticos.

"The Wrong Goodbye", uma espécie de elegia de bar, foi igualmente comovente, com o piano brilhando ao fundo, criando um espelho preciso para a letra de flexões ao estilo "filme noir"* de Chiara. Quando seu quarteto aumentou o ritmo, porém, a elegância fácil que ela naturalmente exala deu lugar a uma dureza severa que empurrou "Ora" à beira da histeria.

A tendência ocasional de Chiara ao exagero -- cantar para as últimas filas da varanda de um clube que nem sequer tem uma -- pode ser atribuída ao nervosismo. Assim que ela se acostumou e teve senso do palco para o qual tocava, seu tom recuperou a polidez reluzente, como ficou evidenciado por uma adorável versão, cantada parcialmente
a capella, da canção de Joni Mitchell "In France They Kiss on Main Street", que se mostrou um dos destaques da noite.

Chiara se apresenta na Symphony Space em NYC, em Março, dia 22. 


Fonte: Revista Variety


* "filme noir" é uma expressão usada no cinema para descrever um estilo de filme policial surgido na década de '40, com as características de serem filmados em alto contraste, em preto-e-branco e com muitas sombras, talvez um pouco como a foto que ilustra o post ;)


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Chiara e Basya Schechter no CD "Queen's Dominion", em 2004!

Pharaoh's Daughter é uma banda de folk-rock sefardita, cantos hassídicos e formada por músicos experientes que vieram de várias partes do mundo. A violinista Meg Okura, por exemplo, é especialista em jazz e já trabalhou com David Bowie, Philip Glass, Jesse Harris e, coincidentemente, com Ryuichi Sakamoto, cujo álbum "1996" é um dos preferidos da Chiara Civello.

A líder do grupo é Basya Schechter, cantora e multi-instrumentista que em 2004 resolveu lançar seu primeiro trabalho solo, e convidou a Chiara para participar fazendo os vocais e as "respirações". A música é totalmente instrumental, não tem nenhum viés pop, portanto exige um pouco de costume. O projeto foi muito bem visto, à época, e com certeza adicionou muito ao trajeto que a Chiara queria percorrer para achar sua própria voz. 

Capa do "Queen's Dominion"
O CD está disponível na Amazon e no Itunes
O site do Pharaoh's Daughter permite ouvir pedaços de cada música do álbum, neste link.
Por curiosidade, a "respiração" gravada pela Chiara pode ser ouvida, por exemplo, na faixa 03, "Burning Bush".

Entrevista para revista do Novo México, em 2008

Após conhecer o Brasil, em 2008, a Chiara voltou para Nova Iorque e já tinha uma apresentação marcada no Santa Fe Jazz Festival, no Novo México. Antes da apresentação, em 3 de outubro de 2008, deu uma entrevista muito legal para o Santa Fe New Mexican, que fazia a cobertura do evento. Falou de música brasileira, suas inspirações e expectativas sobre a carreira.

Abaixo, a tradução do artigo feita pelo SOFA'. Para ilustrar, algumas fotos da turnê do The Space Between.

SIMPLESMENTE BEL CANTO
por Paul Weideman

Chiara Civello é uma mulher do mundo. A cantora italiana, que se apresenta em Vanessie na sexta, 3 de outubro, junto com o Friends of Santa Fe Jazz, estudou jazz na sua cidade natal, Roma, e começou sua carreira se apresentando com Mario Raja Big Bang e Roberto Gatto e os Noisemakers (num tempo que ela descreve "como antes de eu ter nascido...muito tempo atrás").

No começo dos anos 90 ela se mudou para Boston numa bolsa de estudos para a Berklee College of Music; dois anos depois de se formar fixou-se em Nova York, onde focou sua atenção no estudo da música latina e brasileira enquanto explorava seu amor pelo jazz, rock e pop. Ela se apresentou como backing vocal para o cantor e compositor James Taylor e para o cantor de jazz John Pizzarelli, e contribuiu para álbuns de Basya Schechter (líder do grupo de folk Judeu Pharaoh's Daughter) e para o guitarrista latino Juis Luis Guerra, bem como para um tributo à Marvin Gaye feito pelo tecladista Jason Miles.

Em 2005, a Verve lançou o primeiro álbum solo de Chiara, Last Quarter Moon - música que é assumidamente romântica e repleta de vocais luxuosos, atléticos. Seu segundo disco, The Space Between, é, em suas próprias palavras, sobre "o espaço entre as notas, o espaço entre as palavras, o espaço entre eu e você, eu e meu passado, eu eu meu futuro, e todos os lugares entre que hoje em dia são tão difíceis de parar e pensar sobre eles". Ela adiciona, "canções são como trens, eles te levam de um lugar para o outro. Essa coleção de músicas, eu acho, é meu trem para casa".

Civello falou com o Pasatiempo de sua atual casa, no Brooklyn.

Pasatiempo: Você compôs a maioria das músicas em seus dois álbuns. Qual é o seu processo de composição? Você compõe na guitarra ou no piano?

Chiara: Eu componho em ambos. Às vezes pego a guiarra, às vezes vou direto ao piano. Depende. É um processo casual.

Pasa: Sua voz é tão linda - seu tom e inflexões. É natural?

Chiara: Sim, é definitivamente natural. Começou com um pouco de treinamento e continuou com bastante "destreino".





Pasa: Para levá-la (a voz) aonde você queria?

Chiara: Exatamente. Esquecendo um monte de coisas acadêmicas.

Pasa: Você cantava quando era criança em Roma?

Chiara: Eu sempre cantei, sim, porque eu gostava. Mas nunca pensei em virar cantora até que a música me escolheu, sabe?

Pasa: Quem são seus heróis? Quem você amou escutar com o passar dos anos?

Chiara: Eu passei por fases realmente muito diversas: a fase Nat King Cole, a fase Chet Baket, a fase Shirley Horn, a fase Julie London e a fase Peggy lee. Agora estou um pouco na fase Dusty Springfield.

Pasa: E Astrud Gilberto?

Civello: Eu amo Astrud. O que eu adoro é o mundo sônico que construíram ao redor dela nos anos '60. Ela não era uma cantora tão boa assim, sabe, mas ela era inacreditável em prestar a inspiração certa para aquela época, quando a bossa nova se tornou mais conhecida nos Estados Unidos. Eu acabei de voltar do Brasil e, se você perguntar pra eles, eles não se sentem realmente representados pela Astrud Gilberto. Eles se sentem mais representados por uma vocalista como Elis Regina, por exemplo.

Pasa: Suas músicas tem um sentimento fortemente romântico. Podemos pensar no que é antiquado e no que é moderno, mas algumas coisas, talvez como esse tipo de canto e música, são alheias ao tempo.


Chiara: Sim, eu concordo. Eu não ligo muito para moda ou moda musical. Eu gosto de tudo o que é bom e real. Uma música que se sustenta apenas com um violão é um milagre para mim, muito mais do que aquela que precisa de muita aparelhagem. A música além do tempo que eu amo é a música que as pessoas nunca se cansam de escutar porque são quatro ou cinco seres humanos interagindo no palco ou no estúdio, e isso é verdadeiro.

Pasa: Você pode descrever sua própria evolução como cantora e como artista?

Chiara: É difícil descrever algo quando você está dentro dele. Eu definitivamente estar indo a lugares melhores todos os dias. Ultimamente eu descobri a beleza da colaboração, co-compor com pessoas maravilhosas que eu encontro nas minhas viagens, então eu me sinto inspirada em poder achar um lugar comum e desenvolver uma ideia juntos. Aonde estou indo é que eu quero me tornar uma cantora melhor e uma pianista melhor e tocar melhor o violão e escrever canções melhores.


Pasa: Já se foram dois anos, eu acho, desde que você gravou The Space Between. Está trabalhando em algum novo projeto?

Chiara: Se passou exatamente um ano, e infelizmente não saiu ainda nos EUA. Estou trabalhando num novo projeto e escrevendo novas canções. Eu amo fazer isso.

Pasa: Seus interesses também incluem música latina e brasileira, mas você tem algum carinho por trabalhos mais abstratos como as coisas que Lauria Anderson e Meredith Monk, e até Luciana Souza, tem feito?


Chiara: Eu fiz isso, no passado. Eu experimentei com isso. Mas gosto do poder de uma melodia simples, e eu gosto do poder de uma melodia que pode ser óbvia, mas por alguma razão não o é. É lindo fazer algo com o qual as pessoas, de fato, se conectam rapidamente, sem ter que se esforçar intelectualmente. Musica é agradável, e é algo que leva você para longe.

Pasa: Quem você traz com você para Santa Fé?

Chiara: Três dos meus mais queridos músicos. Yusuke Yamamoto do Japão toca a bateria, vibrafone e a flauta. Depois um guitarrista brasileiro, seu nome é Guilherme Monteiro. E então trago um ótimo baixista cujo nome é Alan Hampton.

Pasa: Você vai levar seu violão também?

Chiara: Claro. Meu violão é como meu braço.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Chiara cantando salsa com o grupo Mango Blue, em 2000!

Mango Blue foi um projeto criado pelo músico Alex Alvear e se apresentava com músicas latinas, mistura de salsa, música africana e cubana, reggae e música equatoriana.


 A banda era:

Alex Alvear - Bass & Vocals
Chiara Civello - Lead Vocals
Ernesto Diaz - Congas
Gonzalo Grau - Minor Percussion, Vocals & Keyboards
Bertram Lehmann - Drums
Jose "BamBam" Ramirez - Timbal
Felipe Salles - Tenor Saxophone
Miguel Zenon - Alto Saxophone 

Dá pra perceber que alguns desses nomes, inclusive o próprio Alex, vieram a tocar com a Chiara em seus álbuns, posteriormente. 

Em 2002, com Chiara Civello nos vocais, lançaram um álbum chamado "Immigrant Blues". Abaixo, a capa do CD e duas músicas onde é possível ouvir a Chiara cantar:


"Cha-Cha Blue"


"A Moverse"


Antes do CD, em 2000, a banda se apresentou para um especial de TV sobre música latina. No vídeo, a Chiara aparece fazendo os vocais e parecendo bem animada, dançando. :)


O projeto existe até hoje, ainda liderado pelo Alex, mas com outros músicos.

Chiara Civello e o grupo de jazz Canaïma, 1998!

Antes do ano 2000, ainda estudante em Berklee, a Chiara já começava a entrar para a cena do jazz nos Estados Unidos, conhecendo outros músicos e se juntando a eles para todo tipo de projeto e apresentações musicais. Como ela mesma já disse, a fim de "desaprender" o aspecto formal da educação que recebeu e conhecer novos espaços para que pudesse encontrar sua própria voz. 

Enquanto isso não aconteceu, participou de projetos bem diferentes, como o Mario Raja Big Band (antes até de ir para Boston, como já falamos aqui no blog) e o grupo Canaïma, formado por músicos de world jazz que fizeram algumas apresentações junto com a Chiara em 1998! O grupo chegou a fazer uma turnê na europa, com shows na França, e era patrocinado pela própria Escola de Berklee. Aparentemente gravaram um álbum chamado "A human experiment". O álbum não parece estar disponível na internet, os únicos registros da parceria parecem ser fotográficos:




Capa do CD "A Human Experience", gravado no studio Cactus em 1998.


Propaganda de um show feito na França

Anúncio de apresentação e Chiara na foto, 1998
Jornal francês falando da turnê do grupo e do lançamento do álbum.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ouça os trabalhos da Chiara feitos de 1997 até 2011!

Como a Chiara já fez muitas parcerias ao longo da carreira, a partir do momento de se mudar para Boston e até antes disso, às vezes fica difícil acompanhar os álbuns que tem sua colaboração, tanto pela quantidade dos lançamentos quanto pela sua raridade.

A seguir, um vídeo feito pelo blog com trechos de 15 canções que contam com participação da Chiara Civello, seja em primeira voz, backing vocal, pianista ou compositora. Estão em ordem cronológica e vão desde o álbum 7#, do baterista italiano Roberto Gatto, até "Reis", do recém lançado CD da Maria Gadú, "Mais uma Página". A lista se encontra após o vídeo e mais informações podem ser lidas na nossa página de Discografia. Não é uma lista completa, estamos sempre descobrindo novos trabalhos e alguns deles não possuem faixas online.

A maiorias das canções pode ser adquirida através do Itunes ou você pode ouví-las pelo Myspace do artista e até pesquisar no próprio Youtube.




Lista dos álbuns:

Roberto Gatto - 7# (1997)
Berklee College of Music - "SumaCum Jazz" (1997)
Jimmy Haslip - "Red Heat" (2000)
The Lello Molinari Project - "Multiple Personalities" (2002)
James Taylor - "October Road" (2002)
Various - "Lullabies For A Small World" (2004)
John Pizzarelli - "Bossa Nova" (2004)
Jason Miles - "What's Going On" (2006)
Juan Luis Guerra - "La Llave de Mi Corazón" (2007)
Christina Bjordal - "Warrior of Light" (2009)
Nicola Conte - "Rituals" (2009)
Guilherme Monteiro - "Air" (2009)
Paola Turci - "Giorni di Rose" (2010)
Mario Biondi - "Due" (2011)
Maria Gadú - "Mais Uma Página" (2011)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

"Crossing Bridges" (2010)

No verão de 2005, após lançar seu primeiro álbum, Chiara Civello já estava acostumada com Nova Iorque, conhecida na cena jazz da cidade. Com o sucesso de "Last Quarter Moon", achou que era o momento de retornar à Itália, desta vez como cantora profissional e contratada por uma multinacional. A vontade culminou em shows pela Europa que impulsionaram a sua carreira e cujas experiências ela trouxe de volta para NY e deram origem ao seu segundo CD, "The Space Between". A partir daí mais shows e uma trajetória que atravessou os continentes e cresce até hoje.

Ao retornar à Itália, porém, a recém contratada da Verve conheceu o jornalista Wolfgang Achtner, e da amizade e admiração surgiu a ideia de fazer um documentário. Assim foi feito o "Crossing Bridges" (em tradução literal, "Atravessando Pontes"), cuja sinopse segue abaixo, juntamente com fotos exclusivas do filme:



Esse filme é sobre uma jornada: literalmente, através do Oceano Atlântico e, espiritualmente, de crescimento pessoal e artístico. 

O documentário conta a história de Chiara Civello, uma jovem mucisista Romana que ganhou uma bolsa de estudos para estudar música na Beklee School, em Boston, e então se mudou para Nova Iorque onde, em fevereiro de 2005 gravou seu primeiro álbum, Last Quarter Moon, para a Verve, uma das mais importantes gravadoras da jazz da América. 

O documentário foi filmado em Nova Iorque e na Itália e cobre um período chave na vida de Chiara como artista, começando no verão de 2005 e culminando quarto anos depois, após o lançamento de seu segundo álbum, The Space Between. 
Em Nova Iorque, Chiara nos leva numa viagem através de Williamsburg, a vizinhança no Brooklyn onde ela mora e onde encontra inspiração para escrever suas canções: seus lugares favoritos incluem a praia Rockaway e a estação de trem “L”. Chiara também nos leva para clubes de jazz em NY onde alguns de seus amigos estão tocando e onde ela mesma faz performances regularmente. 


A parte filmada nos Estados Unidos inclui um vídeo de Chiara durante as gravações de seu segundo álbum nos Estúdios Bennett, em New Jersey, e uma série de momentos mágicos, como quando Chiara toca violão e canta uma seleção de seus canções no telhado de sua casa ao pôr-do-sol, com o céu de Nova Iórque ao fundo. 


O período filmado na Itália inclui seis shows, filmados entre 2005 e 2008. A primeira performance ao vivo inclui a passagem de som e o primeiro show da turnê italiana de Chiara e sua banda de quatro integrantes no “Casa del Jazz”, em Roma, assim como as performances com ingressos esgotados no Auditorim della Musica, em Roma.  

O clímax da primeira turnê de Chiara, no verão de 2005, foi seu show em Perugia, no Festival de Jazz Umbria. A aventura americana de Chiara começou aqui, em 1993, quando ela ganhou a bolsa de estudos oferecida pela Beklee College of Music, em Boston. Em Perugia, o famoso cantor Tony Bennett faz uma visita a Chiara, sentando na área de backstage durante sua performance. 

                           


O filme também registra o processo de reconhecimento da crescente importância de Chiara Civello pelo mundo da música: durante sua primeiro visita ao Umbria Jazz, Chiara se apresenta à tarde, na praça principal de Perugia; três anos depois, no dia 13 de julho de 2008, a ela é concedido o posto principal dos músicos, no show noturno na Arena Santa Giuliana.
Mais algumas fotos, incluindo a participação da famosa nonna Bianca no documentário :) 


Vale a observação de que este ainda não foi lançado ao grande público, então não temos como assistí-lo ainda. Apesar disso, é possível ver trechos do que foi editado para o documentário aqui (versão 2 do vídeo de "Night") e na entrevista feita pela Reppublica.it em 2007, que usou algumas cenas cedidas pelo autor, aqui.
Esperamos que o documentário possa ser divulgado em breve e deixamos nosso mais sincero agradecimento ao Wolfgang Achtner, que disponibilizou esse material exclusivo pro SOFA' e está sempre colaborando com os fãs. Grazie, Wolfgang, e parabéns pelo trabalho maravilhoso! :)


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Chiara em 1994, Mario Raja Big Bang

Em 1994, prestes a completar 18 anos, Chiara foi convidada para participar do projeto "Mario Raja Big Bang", que nada mais era do que uma banda de jazz formada pelos novos talentos da Itália. O projeto rendeu um álbum, "Ellington", lançado no mesmo ano e com Chiara nos vocais.

O site do músico oferece algumas fotos de uma Chiara adolescente...e fofa.


Após o término do álbum a Chiara foi pra Berklee.